Navegar é uma atividade que remete à liberdade, mas que exige disciplina rigorosa. Quando adquirimos um barco, lancha ou motoaquática, a preocupação inicial costuma ser com o motor, o casco e os equipamentos de salvatagem. No entanto, existe um detalhe visual que, se negligenciado,o tamanho do Nome e do Número de Inscrição da Embarcação, tem sido a causa número um de paradas e autuações em inspeções navais: a identificação visual incorreta.
Muitos comandantes desconhecem que existem regras milimétricas sobre onde escrever o nome, qual o tamanho da fonte e como exibir o número de inscrição. A estética do barco jamais pode se sobrepor à legislação.
Neste artigo, vamos mergulhar profundamente nas Normas da Autoridade Marítima (NORMAM) para esclarecer todas as dúvidas sobre o Tamanho do Nome, Número da Embarcação: Não Cometa Erros na Identificação e Evite Multas da Marinha. Se você quer garantir que seu passeio ou trabalho não seja interrompido por uma notificação indesejada, este guia foi feito para você.
...................... Continua após a publicidade............................
A Importância da Identificação Correta na Água
Antes de entrarmos nas medidas exatas (centímetros e posicionamento), é fundamental entender o “porquê”. A identificação de uma embarcação não serve apenas para fins burocráticos ou para “enfeitar” o costado. Ela é uma questão de segurança e salvaguarda da vida humana.
Imagine uma situação de emergência, onde uma embarcação está à deriva ou sofreu um acidente. As equipes de Busca e Salvamento (SAR) precisam identificar visualmente o alvo, muitas vezes à distância ou em condições de baixa visibilidade. Se o nome estiver ilegível, pequeno demais ou em uma cor que não contrasta com o casco, o resgate pode ser prejudicado.
Além disso, a identificação clara permite a fiscalização do tráfego aquaviário, garantindo que apenas embarcações regularizadas e com os impostos e seguros em dia estejam navegando, o que protege a todos nós.
O Nome da Embarcação: Regras de Batismo e Exibição
O nome da embarcação é a sua identidade social nos mares e rios. A Marinha do Brasil permite liberdade na escolha do nome (desde que não seja ofensivo ou confuso), mas é extremamente rígida quanto à sua exibição.
Onde o nome deve aparecer?
De acordo com as normas vigentes para embarcações de Esporte e Recreio, o nome deve ser marcado de modo visível:
- Na Popa (parte traseira): Obrigatório. Juntamente com o nome, deve constar o Porto de Inscrição (cidade e estado).
- Nos Bordos (lados): Opcional para esporte e recreio(miúdas) em alguns casos, mas obrigatório para embarcações maiores ou comerciais, geralmente nas bochechas (parte curva próxima à proa) ou na superestrutura.
Tamanho e Fonte das Letras
Aqui reside o erro mais comum. O proprietário escolhe uma fonte cursiva, artística, difícil de ler, ou faz adesivos muito pequenos para não “estragar” o design do barco.
- Legibilidade: A fonte deve ser simples e legível. Evite letras góticas ou muito desenhadas.
- Tamanho Mínimo: Embarcações em Geral – toda embarcação deverá ser marcada de modo visível e durável: na Popa – nome da embarcação juntamente com o porto e número de inscrição, com letras de, no mínimo, 10 cm de altura e números de, no mínimo, 2 cm de largura; e nos Bordos – nome nos dois bordos podendo ser no costado ou nas laterais da superestrutura, a critério do proprietário, em posição visível e em tamanho apropriado às dimensões da embarcação.
- Embarcações com plano de linha d’água retangular – essas embarcações, do tipo balsas ou chatas, receberão marcações de nome, porto de inscrição e número de inscrição nos bordos próximos à popa.
- Contraste: A cor das letras deve contrastar com o fundo. Barco branco pede letras escuras (preto, azul marinho). Barco escuro pede letras claras (branco, amarelo).
- Embarcações Miúdas – as embarcações miúdas inscritas deverão ser marcadas obrigatoriamente com o número de inscrição no costado, nos dois bordos e em posição visível. É facultativo marcar essas embarcações com o nome no costado. NORMAM-211. item 2.16 , pág. 2-25.
O Número de Inscrição: O “RG” da Embarcação
Diferente do nome, que você escolhe, o número de inscrição é gerado pela Capitania dos Portos, Delegacia ou Agência Fluvial. Ele é o registro oficial da propriedade no Título de Inscrição de Embarcação (TIE ).
A estrutura típica do número é: 401 – 12345678 – 9 (onde 401 é a sigla da Capitania e o restante é a numeração sequencial).
Regras de Fixação do Número
Para evitar problemas com a fiscalização sobre o Tamanho do Nome, Número da Embarcação: Não Cometa Erros na Identificação e Evite Multas da Marinha, atente-se a estes pontos:
- Localização: O número de inscrição deve ser marcado obrigatoriamente nos dois bordos (lados) da embarcação, na metade dianteira (proa) ou na superestrutura, em local visível.
- Visibilidade: Não pode ser encoberto por defensas, capas, ou equipamentos de pesca.
- Tamanho dos Caracteres: A legislação exige dimensões específicas para garantir a leitura à distância.
- Altura mínima: Geralmente 10 cm.
- Largura da linha (traço): 2 cm.
Dica de Autoridade: Jamais utilize fitas adesivas temporárias ou caneta marcadora. A marcação deve ser durável (pintura ou adesivo vinílico de alta resistência). Se o número descolar durante um passeio, você estará irregular.
Classificação de Tamanho da Embarcação: Como Isso Afeta a Identificação?
Quando falamos em “tamanho”, também precisamos discutir o porte da embarcação em si, pois as exigências da Marinha mudam conforme o comprimento total do barco. A confusão sobre o porte é frequente e perigosa.
A Marinha classifica as embarcações de esporte e recreio em três categorias principais baseadas no comprimento (de proa a popa):
1. Embarcação Miúda
São aquelas que tenham comprimento inferior ou igual a seis (6) metros, apresentem características específicas (convés aberto, sem cabine habitável, sem propulsão mecânica fixa, etc.).
- Exemplos: Jet skis (motoaquáticas), botes infláveis pequenos, lanchas pequenas de convés aberto.
- Identificação: As regras são aplicáveis, mas há tolerância maior quanto ao espaço disponível para plotagem, desde que legível.
2. Médio Porte
Embarcações com comprimento inferior a 24 metros (exceto as miúdas).
- Exemplos: A maioria das lanchas de passeio, veleiros oceânicos.
- Identificação: Rigor total na aplicação da NORMAM. Nome na popa e número nos bordos são mandatórios.
3. Grande Porte (Iates)
Embarcações com comprimento igual ou superior a 24 metros.
- Exemplos: Iates de luxo, navios de cruzeiro.
- Identificação: Além do nome e número, estas embarcações possuem registros internacionais e regras específicas de marcação de calado e disco de Plimsoll (se aplicável), aproximando-se das regras da marinha mercante.
Tabela Resumo: Regras de Identificação Visual
Para facilitar a sua visualização e consulta rápida, preparamos esta tabela comparativa baseada nas práticas da NORMAM:
| Item de Identificação | Localização Obrigatória | Tamanho Recomendado (Fonte) | Cor / Contraste |
| Nome da Embarcação | Popa (Traseira) | Mín. 10 cm a 15 cm de altura | Alto contraste com o casco |
| Porto de Inscrição | Popa (Abaixo do Nome) | Proporcional (geralmente menor que o nome) | Alto contraste com o casco |
| Número de Inscrição | Ambos os Bordos (Bochechas/Proa) | Mín. 10 cm de altura | Alto contraste com o casco |
| Vida Útil da Marcação | N/A | Deve ser durável (tinta ou vinil náutico) | N/A |
Erros Comuns que Geram Multas (e Como Evitá-los)
A fiscalização da Marinha não tem o objetivo de punir por prazer, mas sim de educar e garantir a ordem. Contudo, a reincidência ou o descaso geram multas pesadas. Veja os erros que você deve eliminar hoje mesmo:

1. O “Adesivo Artístico” Ilegível
Muitos proprietários contratam designers gráficos que não conhecem a legislação náutica. O resultado são fontes manuscritas, com cores metálicas sobre fundo branco, que tornam a leitura impossível a mais de 5 metros.
- Solução: Priorize a função sobre a forma. Use fontes bastão (sem serifa) e cores sólidas.
2. Defensas Cobrindo o Número
Ao atracar ou navegar em canais estreitos, é comum deixar as defensas (boias laterais) penduradas. Muitas vezes, elas ficam exatamente sobre o número de inscrição.
- Solução: Ao navegar, recolha as defensas para o convés ou posicione o número em um local onde as defensas não o cubram.
3. Nome do Barco “Apelido” vs. Documento
O nome pintado no casco deve ser exatamente o mesmo que consta no TIE. Se no documento está “Rei dos Mares II” e no casco você pintou apenas “Rei dos Mares”, isso é uma irregularidade documental.
- Solução: Verifique o documento antes de mandar fazer o adesivo.
4. Desgaste pelo Sol e Sal
O ambiente marinho é agressivo. Adesivos ressecam e descascam; tintas desbotam. Um número parcialmente apagado (ex: um “8” que parece um “3”) é passível de autuação.
- Solução: Inspeção visual a cada saída. Se estiver desbotado, refaça imediatamente.
O Processo de Regularização: Passo a Passo
Se você percebeu que sua embarcação está fora dos padrões discutidos sobre o Tamanho do Nome, Número da Embarcação: Não Cometa Erros na Identificação e Evite Multas da Marinha, siga este roteiro prático:
Passo 1: Consulta ao Documento (TIE)
Pegue o documento da embarcação. Anote o número exato e a grafia correta do nome e do porto de inscrição.
Passo 2: Medição do Espaço
Vá até a embarcação com uma fita métrica. Meça a área disponível na popa e nas bochechas de proa. Isso garantirá que você encomende adesivos que caibam sem ficar tortos ou invadir áreas de verdugo/friso.
Passo 3: Produção do Material
Procure uma empresa de comunicação visual especializada em adesivos náuticos ou um pintor letrista naval. Especifique que precisa de material resistente a UV e água salgada.
- Sugestão: Peça uma prova digital para verificar a legibilidade da fonte.
Passo 4: Aplicação
Limpe bem a superfície com álcool isopropílico para remover sal, gordura e cera. Aplique o adesivo ou a pintura a seco. Certifique-se de que não ficaram bolhas.
Passo 5: Vistoria Própria
Afaste-se cerca de 20 a 30 metros da embarcação. Você consegue ler o nome e o número claramente? Se sim, você está pronto para navegar.
Veja também: Seguro DPEM para Embarcação Não Inscrita
Conclusão
Navegar é um exercício constante de responsabilidade. As regras da Marinha do Brasil não são burocracias vazias; elas são o alicerce de um tráfego aquaviário seguro e ordenado. Ao atentar para o Tamanho do Nome, Número da Embarcação: Não Cometa Erros na Identificação e Evite Multas da Marinha, você não está apenas fugindo de penalidades financeiras.
Você está demonstrando respeito pela comunidade náutica, facilitando o trabalho dos órgãos de fiscalização e, acima de tudo, garantindo que, em caso de necessidade, sua embarcação será identificada rápida e corretamente.
Não deixe para verificar isso no dia do passeio. A prevenção é sempre mais barata e menos estressante que a correção de uma multa. Verifique seu barco hoje mesmo.
FAQ – Perguntas Frequentes
Posso colocar o número da embarcação apenas na popa?
O nome da embarcação pode ser igual ao de outra já existente?
Sim, nomes repetidos são permitidos na Marinha do Brasil, diferentemente de marcas registradas. O que diferencia um barco do outro é o Número de Inscrição e o Porto de Inscrição. Por isso, a combinação de Nome + Porto na popa é essencial.
Motoaquática (Jet Ski) precisa ter nome pintado?
Qual a multa por estar com a identificação apagada ou incorreta?
A infração é classificada como “Deixar de ter as marcas de identificação de acordo com o estabelecido”. A penalidade pode variar do grupo D ao E (em valores monetários), além da possibilidade de suspensão do Certificado de Habilitação e, em casos de recusa em corrigir, apreensão da embarcação até a regularização.
Posso usar apelidos carinhosos no casco diferentes do documento?
Não. Oficialmente, o que está escrito no casco deve corresponder ao documento. Você pode ter adesivos decorativos, mas eles não podem confundir a identificação oficial. A identificação primária deve ser fiel ao TIE.


Escritor e entusiasta do universo náutico, dedica-se a traduzir o mar em palavras claras e úteis. Neste blog, compartilha conhecimento prático sobre embarcações, documentação, navegação e normas marítimas, sempre com respeito às tradições da vida no mar e ao jeito clássico de aprender navegando. Aqui, cada texto é pensado para orientar, informar e manter viva a boa e velha cultura náutica — sem rodeios, como um bom rumo traçado na carta.

